Sobre um dia ensolarado, que acabou ficando nublado.

Hoje estou aqui pra contar cada detalhe (que lembro), daqueles meses em que estive doente.
Os dias seguiam, como qualquer outro, mas algumas coisas fisicamente começavam a ficar diferentes, e nem eu mesma entendia. 
Um formigamento no lado direito, começava a me incomodar. Uma palpitação inexplicável comecei a sentir. Os olhos estavam meio embaralhados. Os barulhos me incomodavam. Uma dor de cabeça, suportável, mas que irritava. Após esses sintomas, acabei indo ao Hospital, isso no domingo de manhã, quando fui “diagnosticada” com crise de ansiedade (que de crise de ansiedade não tinha nada). Voltei pra casa com um receituário médico e a sugestão de ir procurar um psicólogo. Até aí tudo bem. Comprei os remédios, procurei um psicólogo, e continuei com minha rotina de trabalho, estudos, CTG e etc. 
Mas na sexta-feira da mesma semana, eu me sentia pior fisicamente, com os mesmos sintomas, mas agora eu estava “grogue”, sem conseguir falar direito, meus pensamentos não se conectavam com as palavras... era muito confuso. 
Depois disso, eu acabei indo uma segunda vez ao hospital, e voltei com mais um receituário médico,
e mais uma vez aconselhada a ir a um psicólogo.
Se passaram mais alguns dias, até que o “caos” realmente veio de encontro a minha família. 
Lembro-me, daquele domingo.... aquele domingo, que eu disse as últimas palavras para minha mãe,antes de ir deitar no sofá de casa, disse: “-esse barulho tá me incomodando, vou subir”-, e a “palpitação” começou... depois que ela começou, eu não conseguia pegar o celular pra ligar... então corri pela casa, pedindo socorro, mas como era domingo todos estavam trabalhando no Restaurante, e e eu me encontrava no apartamento (que é em cima do Restaurante). Eu não lembro direito, mas sei que meu pai me encontrou caída na sala de casa, com um olho roxo e manchas de sangue no chão.
Eu não sabia, mas esse domingo mudaria minha vida e de muitas pessoas. 
E foram 60 dias hospitalizada, 27 dias na CTI (de onde ninguém acreditava que eu sairia).
Depois de alguns dias hospitalizada, fui diagnosticada com ENCEFALITE e EPILEPSIA. Fui induzida ao
coma, tive que ser submetida a uma traqueostomia, me alimentava por sonda, etc.
Literalmente eu me tornei criança novamente.
Depois de diagnosticada, comecei os tratamentos, e pra glória de Deus, aos poucos eu fui melhorando. Quando acordei do coma, tive que reaprender tudo,
 e quando eu digo tudo, é tudo mesmo... comer, falar, caminhar, me movimentar...
Eu sai do hospital no dia 04/08/2019, me alimentando por sonda, com dificuldade de caminhar, com dificuldade pra falar, com 49kg... mas com uma força de vontade de viver inexplicável.

Hoje dia 09/05/2020, já voltei pra várias das minhas atividades. Ainda tenho algumas limitações em função de um pequeno problema na mão direita e o uso dos remédios que faço.

Mas sabe o que eu faço todos os dias?! 
Agradeço, agradeço e agradeço!



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